UMA CONVERSA TELEFÔNICA


Estamos publicizando atividades propostas pelo programa “Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade” - 2ª Edição/2012. No momento nosso grupo vem elaborando trabalhos do curso 1 : “Leitura e Escrita em Contexto Digital”.
A atividade a seguir teve como escopo escrever uma conversa telefônica entre dois amigos (o autor da conversa e a pessoa que achou o cadáver). Para tal seguimos uma sequência de eventos escrita por Nilson Lage, em seu livro "Estrutura da notícia" (Ática,2006.p.21-22).




Um telefonema cadavérico
Piedade, 03 de novembro de 2012 (sábado de manhã, posterior a uma sexta-feira, feriado de finados).
Ricardo:
Ainda estou levemente embriagado, ressaca mesmo, a noite passada fui à desforra! Talvez acicatado pela leitura do ultra-romântico Álvares de Azevedo que encheu de lúgubre a tarde de ontem cuja data coincidira com a efeméride que rememora os mortos. À noite fui a um bar que toca Heavy Metal, encontrei alguns amigos e bebemos até de madrugada, regados com “Heineken” e uma banda cover do “Slayer”.
 Durante a noite estava mais próximo de Wladimir, pois entre os demais ele é o único que possui certa inclinação intelectual. Tem fascínio por Dostoiévski e estava intrigado com um personagem da obra “Os Irmãos Karamázov”, então estávamos meditando sobre “Kólia”, um garoto genial que algures aparece no romance do brilhante Fiódor Dostoiévski. Minha noite foi assim.
Sábado. 08:15 horas; toca o telefone na sala de casa!
Ricardo:
 Alô?
Wladimir:
 Ricardo?!!! Nem sei o que dizer, ocorreu algo terrível e nem imagino como foi possível. Até a ressaca passou!!!
Ricardo:
Calma, respire!!!. Você tem pressão alta e ontem encheu a lata, fala devagar e tenta ficar tranquilo. Conta o que aconteceu?
Wladimir:
Ontem, depois que saí do “Podrão” (bar) quando estava lá pela altura da praça da bandeira, ainda faltando sete quadras para chegar até meu apartamento percebi de soslaio que alguém caminhava na mesma toada que a minha. Quando eu parava e olhava para trás ninguém aparecia. Fiquei sobressaltado e apertei o passo. Quando parava o passo sentia que a presença também parava e assim foi por um longo tempo, até cogitei ser o barulho do atrito que ocorre entre o pano das calças quando estamos em movimento.
Ricardo:
Sim, já passei por isso, também já tive essa impressão que alguém estava no meu encalço. Todavia, quando parava de andar ninguém aparecia, só depois que percebi que o barulho era do meu próprio movimento e que por ser de madrugada o silêncio acaba aumentando o medo e distorcendo a realidade, tudo se transforma e se amplifica.
Wladimir:
Sim, talvez apenas os noctívagos conheçam melhor essa situação. Mas em certo momento apenas virei a cabeça, sem parar de andar, e vi uma figura ao longe. Pelo passo e pelo aspecto físico julguei ser um homem e da forma como vinha provavelmente queria me assaltar ou coisa semelhante, no desespero apertei o passo, a desgraça é que nessas horas por mais que tentemos nos apressar parece que o tempo insiste em remar contra e os minutos necessários para chegar até meu edifício demoraram uma eternidade.
Ricardo:
Mas e ai, o que aconteceu, ele te abordou?
Wladimir:
Meu coração ficou acelerado, entrei em pânico, sai correndo, não olhei para trás. Durante o trajeto fui tirando meu molho de chaves e tentando encontrar a que abre a porta do edifício. Consegui sofrivelmente encontrá-la e a enfiei na fechadura, dei a volta, abri e fechei a porta. Assim que entrei, aguardei e vi passar um homem correndo, circunspecto. Nunca o vira, ele usava um sobretudo preto e um olhar maligno, me encarou, não disse nada, seu olhar me passava a seguinte mensagem: “na próxima de pego”.
Ricardo:
O que você fez, chamou alguém, avisou a polícia, fez B.O para relatar que foi perseguido?
Wladimir:
Agora que vem toda a loucura! Depois do susto, subi e fui dormir, só pensei uma coisa, não volto mais sozinho e se voltar apenas quando já tiver amanhecido. Fui para meu quarto, desabei na cama.
Ricardo:
Fala meu, estou curioso, o que aconteceu?
Wladimir:
Acordei com muita sede, por volta das 07:40 horas, fui até a geladeira, bebi água e fui aliviar no banheiro. Joguei um pouco de água no rosto e ia voltar pra cama, quando de esgueira vejo um vulto atrás da cortina da banheira. Na hora pensei que fosse algum objeto, algo sem importância. Mas quando abro a cortina quase tive um desmaio, pois o homem que havia me perseguido pela calada noite estava deitado na minha banheira, com os olhos fechados e sem pulso. Jaz morto!!! Tenho um cadáver no meu banheiro e não sei como ele veio parar aqui!
Não sei o que fazer porque ele está cheio de hematomas pelo corpo e com sangue espalhado por toda a banheira, também há vestígios de sangue na cozinha. Ricardo!!! Estou desesperado!!! Não sei o que aconteceu, não sei o que fazer.
Ricardo:
Espere, vou ligar para a polícia. Fique ai. Desliguei o telefone!
Desdobramentos:
Fiz o que prometera a Wladimir, liguei para a polícia e contei toda a história. Posteriormente sai de casa e fui até a casa dele, ao chegar o local estava todo cercado e muitos policiais isolaram a área. Aproximei, me identifiquei e deixaram que eu fosse falar com Wladimir em seu apartamento, quando pisei no quinto andar já havia notado expressões fastidiosas tanto de moradores como dos policiais. Entrei no apartamento. Wladimir estava sentado no sofá, insólito.
Um policial vem até mim e diz o seguinte: “Vocês acham que trote é brincadeira!” Retruquei. Trote, como trote?! Ele replicou, não há nada aqui, não há cadáver algum!!! Apenas pude dizer: como isso é possível! Tentei olhar para Wladimir, mas ele estava atônito e cabisbaixo.
No dia seguinte fomos avacalhados pela imprensa local e as pessoas nos marcaram como doidos, loucos, etc. O mais intrigante de tudo isso é que passados sete dias Wladimir foi assassinado em seu apartamento e seu assassino suicidou-se em sua banheira.
Detalhe, o cadáver do assassino de Wladimir era como ele havia descrito a mim há uma semana. Tudo batia! A descrição, as características fisionômicas e as roupas. Para mim Wladimir teve uma visão de sua própria tragédia, talvez não tenha conseguido vê-la toda porque já estava fora, de certa forma já estava morto!
Ricardo

A CHUVA E O VENTO (ou o morto no jardim...)

          Só se ouvia o sibilar do vento que ao resvalar nos galhos das árvores, fazia com que elas chorassem como almas penadas.
          Pela fresta da janela da sala vi que a chuva caia, vorazmente, sobre as rosas do jardim, arrancando, impiedosamente, suas pétalas que caiam formando um tapete colorido, levado pela enxurrada...
          De súbito, um grito.
          Sozinha, na sala, percebi que minha pele começava a formigar como se toda a superfície estivesse eriçada...
          Para completar meu momento de terror (porque nesse ponto eu estava quase petrificada de medo) a luz piscou e apagou.
          Pensei: "Meu Deus!!! O que faço?
          Olhei para o telefone e lembrei-me de ter ouvido alguém falar sobre o perigo em usá-lo em dias de chuva com raios.
          Peguei o celular (achei mais seguro porque naquele momento aquele celular não apresentava perigo) e desesperadamente, liguei para minha amiga Edna. A voz não saia... Baixinho, disse:
          - Edna? É você, Edna?
          - Oi? - respondeu do outro lado.
          - Que voz é essa, Edna?
          - Que Edna, que nada, Miriam. Sou eu, Carlos. Tá louca?
          Percebi que o medo me fez chamar a pessoa errada. Tinha que ser justamente o Carlos, que não conseguia levar nada a sério. Mas, para meu consolo, estava quase dividindo meu medo com alguém. E era só isso que eu queria.
          - (...bem baixinho...) A luz apagou e eu estou com medo. Ouvi também um grito.
          - Não se preocupe. Aqui também a luz apagou. Deve ser alguém sendo assaltado porque os ladrões aproveitam as noites escuras para praticar seus roubos e assassinatos.
          Outro trovão, outro relâmpago e mais barulhos. Parecia que alguém lutava, desesperadamente, para se livrar de algum assassino impiedoso que aproveitava a solidão da noite chuvosa para saciar seus desejos mais infames.
           - Carlos, não estou brincando... eles estão lutando lá fora... Parece que o barulho está se aproximando da minha varanda...
          - Você fechou bem a porta? E as janelas? Esconda-se embaixo da mesa. Não, não, o assassino pode vê-la aí. Fique atrás do sofá, aquele preto, que parece estar de luto...
          - Pa-pare com isso... Nã-não consigo falar, qua-quanto mais andar!!!
          Um ruído agudo ecoa na noite... Será que foi um tiro ou  apenas minha imaginação? Foi minha imaginação, disse para mim mesma. E se for um tiro? Alguém deve estar morto no meu jardim!!! Já estava vendo um cadáver na minha porta!!!
          Num ato quase heróico percebi que não ia admitir que um defunto estragasse meu jardim. Afinal levei meses para deixá-lo como estava. Armei-me de uma coragem hercúlea e corri para a fresta da janela (não foi bem assim, acho que escorreguei até a janela).
          Nesse momento uma sombra passa diante de meus olhos fixos e (provavelmente) arregalados, frente à janela...
          Com o celular agarrado ao ouvido disse:
          - Carlos, o assassino vai entrar aqui em casa!!! Eu vi!!! Ele está chegando perto da porta!!!
          Na porta ouvia-se um toc, toc, toc...
          - E aí, Miriam, ele já entrou?
          - Seu imbecil!!! Estou correndo perigo e você não acredita? Chame a polícia!!!
          - Sim, eu acredito, amiga... Abra a porta logo porque estou todo molhado... Trouxe uma pizza e se o assassino estiver aí, podemos dividí-la... Será que ele gosta de pizza de aliche?
                                                                     *****
Miriam

O Cadáver que Deveia



Certa manhã um homem foi cobrar seu dinheiro, que seu compadre devia.
Chegando lá viu que a porta estava aberta e o canhorro deitado perto da mesa ,quando olhou para mesa!
-Meu Deus!disse o homem!
Seu compadre está em cima da mesa morto.O homem ficou com tanto medo que saiu correndo, esquecendo seu pacote em cima da mesa.
Quando voltou para casa ligou para seu outro compadre Germano e contando o ocorrido disse que tinha esquecido todo o dinheiro na casa .Então os dois resolveram ir ver o que estava acontecendo.Mas quando ia chegando perto, ouviram alguém dizer?
- Um para mim , outro para você, um para mim ,outro para você, os dois compadre ficaram assustados e resolveram averiguar o que estava acontecendo.
Um dos compadres ainda disse:
-Deve ser os fantasmas do falecido que veio buscar nós dois?
-Que besteira, disse Germano!
-Fantasma não fala.
-Você está ouvindo ele dizer:
-Um para mim, outro para você?
Os dois foram ver, e chegando perto da janela....
Para a surpresa dos dois, o cadáver que devia estava com o pacote de dinheiro e contando juntamente com o seu cachorro um para mim, outro para você.
Os dois enfurecidos entraram e resolveram toda a situação.
O cadáver desapareceu e nunca mais tiveram notícias.



FIM



ALESSANDRA


Certa noite um homem chamado Robert Gallowen estava passando pela rua a caminho de seu trabalho quando de repente ouviu gritos de pessoas pedindo por socorro,. Ele vai até lá para ver o que estava acontecendo e, avista pessoas correndo, quando olha para o lado percebe que tem um cadáver
Ao chegar ao seu trabalho, já assustado, pega o celular e liga para seu melhor amigo Christopher Jhonson e conta o que aconteceu:
- E ae Chris, você não vai acreditar mano no que aconteceu comigo essa noite. Eu tava indo para o trabalho, e nossa!!!!!
Christopher diz:
- Nossa cara fala aí.
- Promete não contar pra ninguém?
-Claro cara pode confiar.
-Ta legal: eu tava indo pro trabalho esta noite e escutei gritos de pessoas pedindo por socorro,fui ver o que era e tinha umCADÁVER!!!.
-E será que ele ta lá ainda ?
-Cara não sei.
-Vamos lá ver?
-Não sei se eu quero ir.
- Cara vamos lá, por favor!
- Ah, ta bom vai.
No fim da noite, Chris e Robert foram lá onde estava aquele cadáver . Para surpresa deles o cadáver ainda se encontrava lá, coberto com jornal. Se aproximaram, levantaram o jornal e,quando olharam para o rosto descobriram que era o melhor amigo de Chris .



SONIA APARECIDA RONCHI JOAZEIRO


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