MEMÓRIAS


Meu contato com a escrita foi através de um adulto leitor, meu pai. Primeiramente porque seu acervo era relativamente grande, era advogado e sempre estudava processos e leis. Deste modo sempre o via lendo, fato que me intrigava, pois deixa-me curioso. Posteriormente fui concatenar que sempre quando havia algum encontro, seja em família ou em outro lugar, como um palanque que ele era chamado a falar, ai fui perceber que sua boa oratória tinha origem em seus estudos. Naquele período eu tinha em torno de 10 anos e ao mesmo tempo que respeitava a figura de meu pai, principalmente porque ele era respeitado em público, por ser reconhecido como alguém que tinha em certo conhecimento, também passei a respeitar o conhecimento, possível pela leitura, pelo estudo. Portanto o interesse pela escrita veio através do respeito que eu tinha e ainda tenho pela figura de um adulto leitor!!!O primeiro livro que li foi sobre a raça de cão "Boxer", pois havia ganho um filhote e também um livro sobre as características da raça. No inicío compreender o texto era muito difícil, certamente pela minha imaturidade intelectual, contudo o esforço que tive que realizar para ler o livro certamente teve peso nas escolhas futuras, isto é, nos aspestos que passariam a me interessar pelo mundo da escrita. Antes de escolher o curso de "Ciências Sociais" sempre me interessei por História, tal interesse eu pensava que vinha através da música, pois os temas das bandas de "Heavy Metal" muitas vezes fazem menção a batalhas medievais. Todavia meu primeiro contato com a historiografia se deu antes, quando dormia ouvindo meu pai estudar a "Era das Revoluções" de Eric Hobsbawm em voz alta, a noite. A partir deste momento passei a incorporar um espírito crítico que foi orientado por um professor de formação sociológica no colégio, ai pude entender racionalmente várias angústias que nutria, isto é, quando passei a estudar com uma certa rigorosidade as ciências sociais, passei a adquirir uma certa consciência social crítica, isto foi absolutamente benéfico a mim, pois assim tive a capacidade, como se refere Antonio Candido, de me humanizar pela leitura!

Ricardo



Desde muito pequena quis ir à escola – queria saber ler. Minhas primeiras leituras foram os gibis, de Mickey Mouse a Mafalda, da Turma da Mônica a Aventuras de Tintin. Depois, seguiram-se os livros da escola, de leitura obrigatória, acompanhados de alguns clássicos e de outros de leitura banal. Para cada momento da vida, um livro de cabeceira – livros românticos, livros cabeça, livros de puericultura e de contar histórias. Pareço-me com a Danuza (Leão), leio de tudo, em parte por conta do meu ofício. Sou professora e revisora de texto. Os livros têm me acompanhado em muitas jornadas. Com eles ri, chorei, sonhei, aprendi e apreendi. Com eles também ganho o pão (o que alimenta o corpo e a alma). Nada como ver o livro pronto, acabado, impresso e seu nome nos créditos da contracapa. Prazer maior, talvez, só o do autor.
E por falar em autores, já me apaixonei por alguns. Lembro-me quando li Feliz Ano Velho e como quis conhecer o Marcelo Rubens Paiva. Gostava tanto de Richard Bach (ainda gosto) que não perdia oportunidade de presentear os amigos – em qualquer aniversário ou Natal, mais um exemplar de Longe é um lugar que não existe, Ilusões ou Fernão Capelo Gaivota era entregue com dedicatória esmerada.
Os livros, contudo, possuem uma ambiguidade: alegria e tristeza. Alegria em saber que sempre terei um companheiro novo. Por outro lado, a tristeza em saber que não poderei ler todos os livros que despertarem meu interesse.

Maria Cristina de Souza Leite

A melhor lembrança que tenho é quando ouvia minha professora contar histórias, e com isso fez com que hoje tudo o que leio e escrevo sempre passo para os alunos que a leitura e a escrita é fundamental em nossas vidas.Em tempo sempre procuro trabalhar com os alunos vários textos.

ALESSANDRA

Sempre gostei muito de ler, mas o que mais me inspirava na escola eram as aulas de história. Cada vez que o professor explicava a matéria eu viajava em cada situação.
Me lembro bem de um dia em que estudei para a prova de história que ia ter e uma amiga da sala chegou falando que não tinha estudado nada. Então,eu expliquei toda a matéria pra ela, contando do meu jeito. Resultado, ela tirou dez e eu tirei nove, foi muito engraçado.
Existem livros que quando leio começo a viajar. Fico imaginando as situações, tem livro que faz com que realmente você se sinta dentro da história.
Estou lendo a série dos livros Os homens que não amavam as mulheres, é muito bom!"
Sonia Aparecida Ronchi Joazeiro

MEMÓRIAS

´ Há algum tempo deixei a sala de aula para ser ora vice ora diretor. Mas algumas coisas acontecem e marcam nossas vidas para sempre.
Numa determinada época, quis ser voluntária na escola onde hoje estou e comecei a trabalhar com um grupo de crianças do 6º ano que tinham dificuldades de leitura e escrita.
O primeiro passo foi levá-las à sala de leitura:que agradável surpresa vê-las tocando os livros, explorando suas páginas, cheirando os exemplares como se estivessem diante de objetos maravilhosos.
Sabemos que ler é uma experiência individual e independente. Naquele momento, o mais importante parecia ser a descoberta, a interação com o grupo, a alegria que exalava do colorido das páginas...
Foi um alvoroço total... sorrisos, gritos, vozes...
O engraçado é que quase todos se interessavam por livros de poesias para crianças.
Pediram-me para ler, contar histórias, dramatizar com a participação deles. Assim, em meio às lições de alfabetização, entrávamos com poesia, escrita e oral.
Gostavam muito de Cecília Meireles e Vinícius de Morais com "Cavalinho Branco" e "A Galinha d´Angola" respectivamente.
Terminamos o semestre com uma pequena poetisa, de 13 anos,
que no início do ano não conseguia expressar o que sentia. Através da poesia disse:
De: Lucicleide Andrade
MENINA
Ela chora,
Calada,
Abobada,
Coitada...
No céu a lua,
Flutua,
Procura
Pousada...
A menina abre
A janela
E deixa a lua
Entrar...
A menina sorri feliz
Porque a lua
É sua amiga...
***

Miriam S.F.Roncada

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